Passeios pela Serra e Recantos da Nossa Terra

Passeios pela Serra e Recantos da Nossa Terra (1925)
Saudar o sol ou sorrir, amavelmente, para a chuva. Escolher caminhar, atenta e vagarosamente. Segundo meu pai, era assim que viviam há 80/90 anos, algumas famílias de Água de Pau, quando se chegava ao verão. Mudar as rotas, andar por outros atalhos e carreiros de murtas pela Serra, se possível for.
Não antecipavam preocupações que só lhes faziam mal à saúde, e por isso, faziam a planificação perto do acontecimento.
Organizam tudo numa calma, para tirar partido da alegria de esperar pelo dia do Passeio com Merenda. Eram os saudosos Pic-nics na rota das nascentes d’água cristalina da Serra da Água de Pau, que jorrava pelas ribeiras, que faziam mover moinhos, lá para os lados do Caminho da Vila, do Matinho, dos Lourinhos, do Espigão ou da Ribeira do Lance.
Doutras vezes, iam para junto das pedras dos calhaus d’áreia da Caloura, no Jubileu, no Cerco, na Galera, nas furnas abaixo e ao lado do Convento, no varadouro do portinho cheirando a maresia das ondas do mar enroladas calmamente a seus pés, ou ainda, lá para as bandas do Valongo, da Terra da Forca, da Amoreirinha, das Pedras Brancas, do Parol e do Carvalho. Onde os carvalhos, os castanheiros e outras frondosas árvores de sombra ofereciam momentos agradáveis de relaxamento, depois de uma fausta refeição ao ar livre, numa tarde de domingo, nos meses de verão e em Agosto particularmente.

Sentiam o alívio dos tempos da primeira guerra e avizinhavam-se outros piores da depressão. Mas isso não sabiam, mas aproveitavam o momento como se o soubessem. Davam a si uma oportunidade de serem felizes, desta forma, festejando a natureza, benza-a-Deus!
“Um dia as migalhas voltam com tanta força, que será impossível repetirem-se momentos iguais e nestes dias caminhavam a cantar com a alma e o coração. Sim, naqueles dias maravilhosos que os primos Vieira da Praça procuravam sempre registar através da antiga máquina fotográfica Kodak AIV”(1). Assim me contou meu pai, num daqueles serões com a nossa família à volta da mesa do quarto de jantar, na casa dos primos Quintiliano, juntamente com o filho António e as primas professoras, Letícia e Lurdes Vieira.

“Naqueles passeios”, continuava meu pai, “os problemas da vida, ficavam em casa, e, evitavam-se, a todo o custo, palavras que causassem feridas no coração, porque é lá que se guardam as boas ou más experiências da vida, que depois nunca mais esquecem”.
É por isso, que eu adivinho, momentos de grande felicidade e alegria nestes passeios que se realizavam nos dias de verão em Água de Pau há 80/90 anos atrás. “Dá gosto, ver estas fotos, onde meu pai está sempre presente, ainda menino, com 5, 6, 8 e 10 anos, e, recordar as palavras dele e dos primos Vieira da Praça que ainda recentemente, antes de partirem deste mundo, falavam-me destes momentos vividos, sobre a sua “passagem-na-Terra”, pela Vila de Água de Pau.

Roberto Medeiros
Roberto Medeiros

(1) – Esta máquina Kodak foi-me oferecida em 1982, com negativos em vidro e em papel de fotografia, de todas estas fotos, que mandei restaurar em Lisboa, na altura.

(Momentos registados em Livro por RoberTo Medeiros).

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